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Capítulo 8 Confronto

- Como entrou aqui? - perguntou sobressaltada. - O que quer?

- Calma, moça! Não precisa ter medo. Não sou um ladrão ou coisa do tipo. Vi seu ateliê mais cedo e pensei em passar aqui quando estivesse aberto. Chamei na porta, mas acho que você estava concentrada demais no seu desenho e não me ouviu.

Ellis levou a mão ao coração.

- Está passando mal? Eu sou médico.

Ela olhou para o homem com desconfiança. Ele não parecia ameaçador, mesmo assim, não o conhecia.

- É que você me assustou - justificou ela.

- Me perdoe, não foi minha intenção. Sente-se! - Puxou o banco onde a pouco ela estava e saiu rapidamente.

Por um instante Ellis achou que ele tivesse ido embora, mas se enganou, o estranho voltou com uma garrafa de água mineral.

- Está lacrada! - afirmou ao vê-la olhar para a garrafa com desconfiança.

Ellis aceitou e a abriu. Bebeu o líquido devagar sem tirar os olhos do homem.

- Está se sentindo melhor?

- Um pouco.

- Me desculpe, eu realmente não quis assustar você.

- Tudo bem, já passou.

Ele assentiu com um sorriso, mas Ellis se sentiu incomodada com o olhar fixo dele em seus olhos.

- Gosta de arte? - perguntou a ele tentando quebrar aquela sensação.

- Sim, bastante. Vim saber por quanto você faria uma tela para mim.

- Depende do tamanho da tela e da imagem que você quer. Geralmente retrato de pessoas é mais caro por ser mais trabalhoso.

- Entendo! Essas suas telas são lindas. Você trabalha muito bem.

Dixon aproximou-se das paredes que exibiam algumas obras feitas por ela e Ellis aproveitou para observá-lo. Era jovem, aparentava entre trinta e cinco e quarenta anos. Alto e de cabelos curtos e acastanhados com algumas nuances mais claras. Corpo magro e torneado. Olhos azuis e barba rala que sombreava o rosto.

Olheiras denunciavam que ele não dormia tanto quanto precisava. Talvez trabalhasse em plantões a noite.

- O que você gostaria que eu pintasse? Retrato, paisagem...?

Ele virou-se para ela.

- Paisagem, mas não tenho a imagem aqui.

- Eu só poderei dizer o valor quando analisar a imagem.

- Tudo bem! - Aproximou-se novamente. - Passarei por aqui ainda essa semana e a trago para você dar uma olhada.

- Certo!

- Esses olhos... - iniciou fixando o olhar para a folha que ela rabiscava a pouco. - São muito bonitos.

Ellis sorriu de canto.

- São do meu namorado.

Dixon virou-se para ela com um olhar enigmático.

- Namorado! - repetiu sorrindo. - Ah, o amor! Então vai desenhá-lo.

- Sim - repetiu sorrindo ao lembrar-se de Owen.

- Isso é muito romântico. Por que não faz um de vocês dois? Assim terá algo para lembrar dessa paixão eternamente - sugeriu.

Ellis assentiu.

- Já pensei nisso também, mas acho melhor esperar nosso bebê nascer. - Sorriu acariciando a barriga que começava a dar os primeiros sinais da gravidez, voltou a olhar para o homem e ele estava pálido. Sua expressão havia mudado drasticamente e Ellis poderia jurar que viu ódio nos olhos dele. Um arrepio passou por sua espinha a fazendo engolir em seco.

- Você está... Bem? - perguntou receosa.

- Você disse grávida?

- Sim. Algum problema?

Ele franziu o cenho olhando para a barriga dela.

- Não, é que eu assustei você e... Sustos na gravidez não são nada bons. Está sentindo algo, algum desconforto? - disfarçou.

- Não, eu estou muito bem.

- Que bom! - sussurrou voltando-se ao desenho. - Tenho certeza que... O pai do seu filho, seu namorado...

- Owen - respondeu confirmando o nome que Dixon esperava ouvir.

- Owen! - repetiu tentando conter o ódio que sentia naquele momento. - Vai adorar o presente.

Ellis sorriu de canto.

- Bem, senhorita...

- Hill, Ellis Hill.

- Senhorita Hill, eu preciso ir, mas foi um prazer conhecê-la. Espero vê-la em breve.

- Igualmente. - Apertou a mão que ele lhe oferecia e o viu sair.

***

Owen trabalhava em sua sala separando algumas contas e anotando algumas novas ideias para os próximos eventos, quando a secretária que ele dividia com os outros gerentes do resort entrou em sua sala.

- Senhor, Hughes!

- Sim, Natalie.

O silêncio que ela fez chamou sua atenção, fitou-a. Natalie, muito discreta, parecia hesitar ou procurar as palavras certas para dizer algo.

- Algum problema? - perguntou ele.

Ela fez que sim.

- Pode falar, Natalie.

Owen pode vê-la engolindo em seco antes de desviar os olhos para dizer:

- Susana acabou de me ligar e avisou que o senhor Dixon Miller está na suíte que o senhor ocupava.

- O quê? Mas por quê? Como ele entrou lá?

- Susana teve que entregar as chaves a ele, porque ameaçou fazer um escândalo no hall do hotel. Ele exige falar com o senhor imediatamente.

- Chame a polícia! Faça-os tirá-lo de lá a força. - Owen mal continha a raiva.

Natalie ficou pálida.

- Tem certeza, senhor? Seria um escândalo muito maior do que o que ele estava prometendo. Não seria bom para o hotel e nem para o senhor.

Owen fechou os olhos respirando fundo. Já tinha sido muito prejudicado em seu trabalho por causa de Dixon, mais um escândalo e estaria arruinado.

- Você está certa, Natalie. - Levantou-se e andou até a porta. - Não aguento mais isso - bufou.

- Tenha paciência, Owen - aconselhou ela. - Ouça o que ele tem a dizer e depois disso ele vai embora. Ninguém precisa saber que ele esteve aqui. Uma hora isso vai acabar.

Owen assentiu.

- Eu espero que sim, Natalie.

***

- Me esperem aqui! - pediu Owen aos seguranças que o acompanharam. Entrou na suíte e Dixon andava de um lado para o outro. Fumava um cigarro jogando a fumaça para longe.

O olhou como se nunca tivesse visto-o antes.

- Quando você pretendia me contar? - Avançou Dixon a sua frente falando primeiro.

- Contar o quê?

- Você sabe do que estou falando, não se faça de desentendido - como Owen permaneceu em silêncio ele mesmo falou. - Da sua namorada... Grávida!

Owen franziu o cenho confuso. Como ele sabia sobre Ellis e o bebê?

- Eu não iria contar, minha vida particular não lhe diz respeito.

Dixon o olhou incrédulo.

- Claro que me diz respeito, estamos casados há oito anos, Owen Hughes. A sua vida é a minha vida. Você me pertence.

- Há oito meses estamos separados oficialmente e a mais de anos estamos separados como casal. O que tínhamos acabou Dixon, todos já entenderam, menos você.

Dixon negava com a cabeça.

- Não terminamos nada, Owen, dei um tempo a você porque estava confuso. Você estava perdido, todo casamento tem crises, isso não é o fim. Você precisa colocar sua cabeça no lugar antes que seja tarde demais.

- Minha cabeça está no lugar, hoje mais do que nunca. Você é quem precisa pôr a sua, clarear suas ideias, abrir os olhos de uma vez por todas. Você precisa de ajuda Dixon, de um profissional.

- Preciso de você! - explodiu. - O meu marido, do meu lado, comigo! É isso que está me matando, é isso que está me deixando louco.

- Não grite!

- Volte para casa, Owen. Deixe dessa brincadeira idiota de querer ser hetero. De ter uma mulher. Por acaso você enlouqueceu? - Owen o observou acender outro cigarro e falar sem parar. - Não importa, eu perdoo você. Entendo que depois de oito anos talvez você estivesse precisando de uma aventura. Vou esperar por você essa noite em nossa casa, oito meses é tempo suficiente para você repensar sua vida.

Owen suspirou deixando o ar sair completamente de seus pulmões.

- Eu já tenho uma casa para voltar, Dixon e você não está nela. Você não faz mais parte da minha vida, entendeu? Eu tenho uma mulher e em breve terei um filho, minha vida mudou, minhas prioridades mudaram. Eu mudei!

- Durante oito anos pedi um filho a você, eu queria ser pai e você me negou isso. Sempre disse que não queria uma criança e agora enche o peito para falar que vai ser pai? Fez isso de propósito para me castigar, engravidou uma mulher para se vingar de mim, para me fazer sofrer. Como pôde?

Com o rosto transtornado de ódio, lágrimas escorreram dos olhos de Dixon.

- Você é quem tem nojo de mulher, não eu. E não foi nem por um momento planejado, mas essa criança existe e é minha responsabilidade. É meu filho.

- Existem várias formas de interromper essa gravidez. Escolha uma e faremos, conheço muitos médicos que não levariam nem meia hora para solucionar esse problema.

- Meu filho não é um problema, nunca foi e nunca será. Essa criança já é muito amada por mim e você me ofende com essas ideias imbecis.

- E o que pretende fazer? Ter essa criança e brincar de casinha com a sua namoradinha? Não seja ridículo Owen, você é gay, bissexual ou qualquer coisa do tipo, mas hetero você não é.

- Gays são homens que se apaixonam por outros homens. Bissexuais são pessoas que sentem atração pelos dois gêneros. Heterossexuais são pessoas que se apaixonam pelo gênero oposto. Eu, gosto das pessoas pelo que elas são, independente de gênero, portanto não me rotule, sabe que odeio isso.

- Para mim não faz a mínima diferença.

- Por isso que nosso casamento acabou, porque você nunca me conheceu, nunca me entendeu e principalmente, nunca me respeitou.

- Não acabou, nada acabou. Você vai voltar pra mim, Owen. Você me ama e eu amo você. - Tentou se aproximar, porém Owen se afastou o impedindo.

- Tem nojo de mim, agora? Depois de oito anos dividindo a cama comigo?

- Sou um homem comprometido e respeitarei minha mulher acima de tudo.

Os olhos de Dixon ficaram negros de ódio.

- Seus pais devem ter ficado radiantes quando souberam que você estava com uma mulher, não foi? Fez as pazes com seu pai? Sua mãe finalmente parou de me xingar? Tenho certeza que ela trata a nova nora com todo amor e carinho como trata a vagabunda da Madison.

- Eu não permito que você fale dessa forma da minha família.

- Sua família? A que virou as costas quando decidiu ficar comigo? - elevou a voz. - Eu que te apoiei todos esses anos, eu fui a sua família. Não pode estar falando sério, Owen. Fale a verdade, decidiu engravidar uma mulher para agradar a eles, não foi? Está nesse relacionamento com ela porque sente falta de sua família, de seus pais... Eu entendo, mas você está agindo errado, os dias vão passar e você não vai aguentar ver aquela mulher perto de você. Vai sofrer e vai fazê-la sofrer também. Você me ama e nunca se é feliz longe de quem amamos de verdade.

- Acha mesmo que eu me importo em agradar alguém? Faço o que quero, sempre fiz, independente se alguém vai gostar ou não, eu faço as minhas escolhas e escolhi Ellis. Essa mulher incrível, a qual você se refere com tanto desprezo, carrega um filho meu, um pedaço de mim.

- Então é pela criança - concluiu deixando Owen mais exasperado.

- Essa nossa discussão não vai dar em nada, você simplesmente não quer entender - falou Owen enquanto caminhava em direção a porta. - Como um dos gerentes deste hotel, quero deixar bem claro que a partir de hoje você está proibido de entrar no Shangri-La seja por qual motivo for. Qualquer tentativa será barrada pelos seguranças que vão agir de acordo com as ordens já estabelecidas. Se insistir chamaremos a polícia e você poderá responder judicialmente. Como pessoa, quero deixar claro que esse é o meu local de trabalho e abri exceção hoje vindo atendê-lo, em respeito aos oito anos em que estivemos casados, mas estou no meu horário de trabalho e isso não vai se repetir. Também não me procure em minha casa ou em qualquer outro lugar, acho que já fui claro o suficiente com você várias vezes nesses oito meses. Entendo que talvez não seja fácil para você superar e aceitar que as coisas mudaram entre nós. Mas o mesmo não acontece comigo, como lhe disse, estou vivendo e cuidando do que é meu. Me deixe em paz.

Owen virou-se para sair.

- Ela sabe?

Owen parou na porta e virou-se fitando-o novamente.

- Não, mas se você quiser contar...

- Acha que ela vai querer ficar ao seu lado depois de saber que viveu um relacionamento homossexual?

- Como você mesmo disse: "É impossível ficarmos longe de quem amamos" e Ellis me ama.

- E você a ama?

Owen sorriu ao lembrar-se dos lindos olhos e sorriso cativante.

- Muito!

- Gostei dos quadros dela, pelo menos talento ela tem.

Owen franziu o cenho.

- Esteve com ela? Quando?

- Antes de chegar aqui - disse de forma casual. - Ela é uma mulher bonita, mas me parece muito frágil.

- O que está querendo dizer?

- Nada, é só uma observação sobre a sua querida, Ellis Hill.

Owen andou até ele ameaçadoramente e o encarou firmemente.

- Fique longe dela ou você vai se arrepender, me entendeu?

- E o que você pretende fazer se eu não ficar longe?

- Vou causar uma destruição muito maior do que você causou na minha vida nesses oito anos.

Dixon calou-se vendo a expressão de ódio e rancor que Owen carregava. O assistiu abrir a porta e falar aos seguranças:

- Acompanhem o senhor Miller até a porta e garantam que ele não volte a entrar aqui.

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