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Ele não é meu pai!
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Capítulo 8 Sob Vigilância

Marlon Shert

Meu coração denuncia tudo o que minha boca se recusa a admitir. Bate alto demais. Forte demais. Cada pulsação ecoa no silêncio da sala como um aviso: estou à beira de perder o controle.

Lara está ali.

Nua.

Sem vergonha.

Sem pressa.

Ela não se aproxima, não precisa. A gravata enrolada ao corpo faz o trabalho por ela, marcando a pele, moldando curvas, transformando minha própria roupa em instrumento de provocação. Lara sabe exatamente o que está fazendo. Sabe o efeito que causa. E se alimenta disso.

A luz das velas desliza pela pele dela, quente, lenta. O ar fica denso. Difícil de respirar.

- Então me queime... - ela sussurra.

A voz não pede. Desafia.

Fecho os olhos por um instante que parece longo demais. Meu corpo reage antes da razão. O calor sobe. A tensão se acumula nos músculos, no peito, entre as pernas. Imagino as minhas mãos onde não deveriam estar. Imagino o som que ela faria se eu cedesse.

Meus dedos se erguem no ar. Tremem. Param a centímetros da pele dela.

Não tocam.

O olhar de Lara se estreita. Um brilho perigoso nasce ali. Vitória. Ela sente. Sente que estou preso nesse fio invisível que esticou entre nós.

Então a lembrança me atravessa.

James.

A confiança nos olhos dele. A frase dita sem hesitação.

"Proteja-a."

O peso disso cai sobre mim como um soco no estômago. O desejo não some, apenas se torna insuportável.

Dou um passo para trás.

- Basta.

Minha voz sai grave, dura. Lara pisca, surpresa por um segundo. Depois sorri.

- Fugindo, marido?

O sarcasmo dela arranha. Meu corpo pede para avançar. Minha consciência me segura à força.

- Isso não é um jogo - digo, apontando para ela, para a gravata, para essa cena inteira. - É loucura.

Ela inclina a cabeça, lentamente.

- Loucura é fingir que você não me quer - responde, a voz baixa, certeira. - Seu corpo não mente, Marlon.

Ela não precisa olhar. Eu sei que ela sente. E isso me enfurece ainda mais.

Dou outro passo para trás. Cada movimento é um sacrifício.

- Vista-se.

A ordem sai fraca demais. Lara percebe.

- E se eu não quiser?

Os dedos dela deslizam pela gravata, devagar, quase carinhosos. Desvio o olhar. O controle está por um fio.

- Então eu saio.

Viro-me antes que mude de ideia. Caminho pesado, tenso, como se estivesse deixando algo vital para trás.

- Você não vai resistir para sempre... - a voz dela me alcança, macia e cruel ao mesmo tempo.

Paro com a mão na maçaneta. O corpo implora. A razão vence por pouco.

- Não me teste - respondo, sem olhar. - Porque, se eu cair... não vai haver volta.

Saio.

O ar frio da noite me atinge como punição. Dentro do carro, encosto a testa no volante, respirando fundo, o corpo em chamas, a mente em ruínas.

Não venci. Apenas adiei.

E se, quando eu finalmente cair... for exatamente isso que ela quer desde o começo?

***

Lara

Acordo tarde. Deliberadamente.

O sol já invade o quarto quando me espreguiço entre os lençóis de seda, lenta, consciente de cada movimento. O sorriso que surge nos meus lábios não é preguiçoso - é calculado. Hoje não é um dia comum. Hoje, eu decido o tom da manhã.

Levanto sem pressa, sigo para o banho e deixo a água escorrer pelo meu corpo enquanto organizo, em silêncio, cada passo do que vem a seguir. Não é impulso. Nunca é. Provocar Marlon exige precisão. Ele não reage ao óbvio. Reage ao que ameaça o controle que tanto preza.

Desço e encontro a mesa de café impecável. Tudo excessivamente organizado. Tudo muito... sob controle.

- Bom dia, senhora Shert - diz a mulher de uniforme discreto, postura elegante. - Sou Cassiana, responsável pelo serviço da casa. Há algo específico que deseja?

Sorrio com suavidade estudada.

- Pode me chamar de Lara. Não sou complicada. Salada, proteína... funcionam bem. Mas tenho uma queda séria por sobremesas.

Ela sorri, satisfeita, e se afasta. Anoto mentalmente: eficiência, discrição, lealdade à casa. Útil saber.

Depois do café, caminho pela mansão. Passo pelo escritório de Marlon, sinto o cheiro de couro e madeira polida, observo tudo com atenção. Não. Ainda não. Quero algo que ultrapasse paredes.

Quero alcance.

Volto para o quarto, escolho o menor biquíni que trouxe, não por ousadia, mas por geometria. Passo protetor solar devagar, como quem executa um ritual, e sigo para a área externa.

A piscina está silenciosa. O som ambiente toca baixo. Perfeito.

Deito na espreguiçadeira, fecho os olhos por alguns segundos, sentindo o sol aquecer a pele. Então mergulho. Nado algumas voltas. Quando volto à superfície, solto o fecho do sutiã dentro da água com a precisão de quem sabe exatamente onde a câmera alcança.

Emerjo sorrindo.

Não é exibicionismo.

É posicionamento.

Deito de bruços, depois viro devagar, deixando o sol tocar onde não deveria tocar em uma manhã comum. O sutiã repousa ao lado, esquecido de propósito. Meu corpo brilha. A cena é indecente demais para ser casual.

E ninguém aparece.

Nenhum segurança. Nenhuma repreensão. Nenhum movimento no jardim.

O arrepio que sobe pela minha espinha não é medo. É confirmação.

Se ninguém vem, é porque alguém já decidiu observar em silêncio.

- Então você ainda não sabe... - murmuro, mais satisfeita do que surpresa.

Se Marlon tivesse visto, algo teria acontecido. Uma ligação. Uma ordem discreta. Um recado educado. O silêncio é o maior indício de que a armadilha ainda está armada e intacta.

E eu tenho tempo.

Levanto sem pressa, entro na mansão ainda com o sutiã na mão e sigo até a sala de controle. O ambiente é frio, técnico, repleto de telas. Sento na cadeira giratória, cruzo as pernas, absolutamente confortável naquele espaço que deveria ser proibido.

Não estou ali por curiosidade.

Estou ali para validar o impacto.

Navego pelas câmeras até encontrar a imagem da piscina, volto alguns minutos. E lá estou eu. Estendida, quase nua, perfeitamente enquadrada. Um ensaio involuntário. Um erro delicioso para quem assiste.

Rio baixo. Não por diversão.

Quem tem controle não precisa fazer barulho.

Desligo as telas e me recosto, satisfeita. O estrago foi registrado. Mesmo que ainda não tenha sido visto.

Desço de volta à área externa, retomo meu lugar ao sol e estico os braços, deliberadamente exposta. Cada gesto é uma linha escrita com calma, sabendo que alguém, em algum momento, vai ler.

Não quero que Marlon venha correndo.

Quero que ele veja.

O desejo não é o corpo dele.

É a falha.

- Ah, Marlon... - murmuro, fechando os olhos. - O erro não vai ser me desejar.

Abro um sorriso lento, perigoso.

- Vai ser achar que fui eu quem perdeu o controle.

E sigo ali, imóvel, enquanto o sol sobe...

e a próxima peça do jogo é inevitável.

E quando ele finalmente assistir... vai conseguir fingir que nada disso foi um convite?

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