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Ele não é meu pai!
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9 Capítulo
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Capítulo 9 Minha Casa, Minhas Regras

Marlon

Eu já devia saber. Já devia ter imaginado que esse casamento, aceito por necessidade, por um maldito contrato e não por escolha, acabaria se transformando em um inferno pessoal. Mas não... eu, tolo, quis acreditar que poderia manter o controle. Que ela se comportaria. Que Lara Sinclair, com todo seu temperamento selvagem, se adaptaria às regras do meu mundo.

Doce ilusão.

Naquela manhã, sentado na sala de reuniões da Sinclair Corporation, um peso estranho já pressionava o meu peito. O celular vibrava insistentemente sobre a mesa, mas eu ignoro. Não é hora de distrações, diante de mim, empresários discutem cifras milionárias, mais interessados em medir egos do que em fechar acordos. Ainda assim, por algum motivo que não consigo explicar, meu corpo inteiro grita que há algo errado.

Fecho os punhos sob a mesa, tentando ignorar o incômodo, até que a porta se abre e Lílian Albuquerque, secretária da presidência, entra. Impecável como sempre: salto firme, saia lápis abraçando as curvas, coque perfeito. Não olha para ninguém, caminha direto até mim.

- Senhor Shert... murmura ao se inclinar, e o perfume discreto dela me atinge.

- Houve um problema sério em sua casa. O chefe da segurança precisa falar com o senhor com urgência.

Um gosto amargo sobe pela minha garganta. Levanto-me devagar, controlando o impulso de sair correndo.

- James, continue sem mim. Você sabe os pontos principais.

Saio da sala em passos largos, puxo o celular do bolso do paletó. As mensagens piscam na tela: dezenas delas. Todas do chefe da segurança. Abro o vídeo e perco o ar.

Lara.

Minha esposa.

A senhora Shert.

Deitada na piscina, topless, como se posasse para um maldito ensaio erótico. Os seios dourados sob o sol, a boca entreaberta em provocação.

- Filha da mãe... murmuro entre dentes, o sangue fervendo.

As mensagens seguintes confirmam o que temo, ela retirou o sutiã do biquíni dentro da água. Os seguranças orientaram todos os homens a saírem da área externa, restando apenas vigilância na entrada principal.

- Mas que inferno...

Entro no carro como um furacão, e cada segundo no trânsito é tortura. Sinais vermelhos, motoristas lentos, buzinas irritantes. Cuspo palavras ao volante, como se estivesse pagando todos os pecados da minha vida. E, o tempo todo, a imagem dela não sai da minha cabeça: o corpo exposto, o sorriso insolente, a ousadia de se mostrar daquela forma sabendo das câmeras.

Quando finalmente chego, abandono o carro em frente à entrada e nem espero o portão fechar. Entro na mansão como um animal ferido, o destino óbvio, a piscina.

Atravesso a porta de vidro pronto para explodir. E então a vejo.

Lara. Deitada na espreguiçadeira, o corpo entregue ao sol, os olhos fechados, a pele úmida brilhando como ouro líquido. O sorriso no canto dos lábios é o golpe final na minha sanidade. Mas o detalhe devastador... os seios nus, firmes, bronzeados; as pernas entreabertas, o biquíni minúsculo que mal cobre a intimidade.

Minha raiva se mistura ao que mais odeio admitir, o desejo.

- Mas que diabos você pensa que está fazendo, Lara? A minha voz sai rouca, grave, quase quebrada.

Ela abre os olhos devagar, como se já soubesse que eu estou ali. Um sorriso lento, carregado de malícia, toma sua boca.

- Bom dia, marido. Aproveitando o sol.

- Aproveitando o sol? Avanço dois passos, e minha sombra cobre o corpo dela. - Você está praticamente nua no quintal da minha casa, cercada de câmeras! Perdeu a noção?!

Ela ri, leve, debochada.

- Relaxa, Marlon. Os seguranças já sumiram. Não tem ninguém para ver.

- Eu vi!

Rosno, o som ecoando pelo vidro.

- Vi cada segundo dessa palhaçada!

Ela morde o lábio inferior, e aquilo é um soco no meu autocontrole.

- Então você estava me assistindo? Provoca, inclinando-se de propósito, expondo-se ainda mais.

- Gostou do que viu?

Minha respiração é pesada, cada músculo clamando por ação.

- Você não tem ideia do quanto me tira do sério. Minha voz sai baixa, carregada de ameaça.

- Não vou aceitar esse tipo de comportamento dentro da minha casa.

Ela se levanta devagar, cada movimento é calculado para me enlouquecer.

- Sua casa...? Repete com sarcasmo.

- Achei que fosse a nossa casa.

Meu maxilar trava.

- Não teste a minha paciência, Lara.

- Eu adoro testar os seus limites.

- Vista essa porcaria de roupa. Agora!

Ela arqueia a sobrancelha, insolente.

- E se eu não quiser?

Um silêncio pesado nos envolve. Então, sem piscar, ela pega o sutiã da mesa lateral e o joga na piscina.

O som do tecido caindo na água é como o estopim de uma bomba dentro de mim.

Dou um passo à frente, pronto para arrastá-la dali, mas ela sorri, atrevida:

- Dúvida que eu faço o que eu quiser, marido?

E os dedos dela tocam a lateral da calcinha, puxando-a de leve só para testar meus limites. É a gota d'água.

Avanço, envolvo sua cintura com força e a ergo nos braços, ignorando os tapas fracos contra meu peito.

- Me solta, Marlon! Ela grita, em desafio.

- Ah, eu vou te soltar, Lara... murmuro entre os dentes cerrados. - Mas só depois de te ensinar que essa casa tem dono.

Atravesso a porta de vidro, subo as escadas, meu coração martelando. No quarto, encosto a porta com o pé e a prendo contra a parede.

Seguro seu rosto, obrigando-a a me encarar.

- Minha casa. Minhas regras, senhora Shert.

Esbravejo com a voz carregada de raiva e desejo.

Ela sorri, provocadora.

- Seu ego é tão grande quanto essa casa. E quer saber? Não me assusta nem um pouco.

Não penso. Não hesito. Beijo-a. Um beijo forte, urgente, possessivo, carregado de tudo o que quero negar. Ela retribui na mesma intensidade, como se também quisesse provar algo.

Quando nos afastamos, eu arfo, o corpo em chamas.

- Você vai me matar um dia, Lara. Murmuro, passando a mão pelos cabelos.

Quando eu achava que ainda tinha controle... quantas pessoas já tinham visto minha esposa nua, e o que mais eu tinha acabado de expor sem perceber?

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